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Pesquisa estuda cortar coroa do novo vírus corona

Uma pesquisa desenvolvida pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) pretende deter a ação do vírus da COVID-19 usando o conhecimento científico acumulado na área de química dos materiais. Financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), o trabalho parte do princípio de que se uma substância química consegue anular uma parte pequena, mas fundamental, de um agente infeccioso, a retirada desta parte será capaz de inviabilizar, de maneira total, o agente nocivo.

“De maneira popular, nossa ideia é matar o mal pela raiz, ou seja, escolher um alvo dentro de uma molécula específica do vírus e atacá-lo de maneira seletiva para que ele seja incapaz de continuar a agir sobre os seres humanos”, explica André Farias de Moura, pesquisador do Departamento de Química. O cientista trabalha nesta frente de ação há pelo menos quatro anos. No caso da COVID-19, o alvo molecular escolhido inicialmente será a proteína spike do vírus, isto é, os espinhos da coroa existentes na superfície do corona.

A intenção é criar nanopartículas, produzidas a partir de determinadas moléculas, e espalhar essa substância em espaços públicos e privados. Deste modo, quando entrarem em contato com a proteína spike do vírus da COVID-19, farão automaticamente um corte na coroa. O material poderá ser produzido nas formas líquida e em gel. A vantagem é que terão efeito prolongado em relação aos produtos já existentes, diminuindo a necessidade de reaplicações. “Isso será possível devido à grande estabilidade das nanopartículas, que mantém a capacidade de inativar o vírus e outros agentes infecciosos por longos períodos”, observa o pesquisador.

Outra vantagem desses nanomateriais é o custo relativamente baixo, “pois usamos quantidades pequenas para inativar o vírus e não é necessário ficar reaplicando durante o dia”, comenta Moura. Integrante de uma equipe de pesquisadores formada por 26 cientistas, André trabalha na síntese destes novos materiais, embora ainda esteja avaliando qual o agente químico ideal. Além disso, pretende empregar a luz do sol ou das lâmpadas fluorescentes para aumentar a ação desses elementos: “Já foi demonstrado que a ação da luz sobre estas partículas pode ser uma aliada rápida e eficaz para anular agentes infecciosos”.

A expectativa do pesquisador é apresentar os primeiros resultados em, aproximadamente, seis meses. Ele observa que o financiamento da CAPES será extremamente valioso para o trabalho, pois “permitirá agregar um grande time de pesquisadores à estrutura laboratorial de primeiro mundo oferecida pela UFSCar, que também já conta com custeio de outras fontes para dar início às pesquisas”.

 

Mayara Ferreira

Estagiária supervisionada pelo editor Jorge Borges

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