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Preço médio da gasolina sobe pela 6ª semana seguida nos postos de combustíveis de Goiás

Pela sexta semana consecutiva, o preço médio cobrado pelo litro da gasolina nos postos de combustíveis subiu em Goiás. Passou de R$ 6,216 na primeira semana de agosto para R$ 6,363 na semana encerrada no dia 11 de setembro, uma elevação de 2,63% para o período. Os dados são do levantamento realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Ao todo, 108 postos de combustíveis foram pesquisados. A reportagem do Diário de Aparecida percorreu na tarde de ontem, 15, as ruas de Goiânia e Aparecida de Goiânia e flagrou postos vendendo o litro da gasolina de R$ 6,44 a R$ 6,47.

A sondagem da última semana, inclusive, coloca Goiás na sexta posição entre os Estados com os preços médios mais elevados do Brasil, ficando atrás do Rio Grande do Norte (R$ 6,625), Piauí (R$ 6,605), Rio de Janeiro (R$ 6,560), Acre (R$ 6,485) e Distrito Federal (R$ 6,411). Na última semana, o consumidor encontrou o produto sendo comercializado a R$ 5,78 no preço mínimo divulgado no levantamento e a R$ 6,599 no valor máximo encontrado pelos pesquisadores. A agência também apurou que o valor médio do litro do diesel aumentou de R$ 4,627 para R$ 4,695 na semana. Já o preço do litro do etanol subiu de R$ 4,611 para 4,87 na semana.

Enumeração da Ticket Log aponta que o preço médio da gasolina já está 30% mais caro para os motoristas em relação a janeiro. O combustível, que registrou média de R$ 4,816 no início do ano, foi vendido nos postos brasileiros a R$ 6,237 nos primeiros dias do mês de setembro. No caso do etanol, o período apresentou o valor médio de R$ 5,371, que, quando comparado ao fechamento de janeiro, ficou 42% mais caro nos postos.

A gasolina mais cara foi comercializada na região Centro-Oeste, com média de R$ 6,368, após o aumento de 1,60%, em relação ao fechamento de agosto. No Sul, o preço médio do combustível avançou 2,32%, a maior alta de todo o País, mas o valor por litro foi o menor nessa primeira quinzena do mês, a R$ 6,049. Já o etanol mais caro foi encontrado no Nordeste, a R$ 5,547, avanço de 2,32% ante o mês passado. No Centro-Oeste, mesmo com o aumento de 4,59%, o litro mais barato foi comercializado à média de R$ 5,014.

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, chamou a atenção para os sucessivos aumentos dos combustíveis praticados pela Petrobras e os seus efeitos no avanço do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o medidor oficial da inflação brasileira. “A Petrobras, por exemplo, passa preços muito mais rápido do que a grande parte dos outros países”, afirmou, completando que o BC acompanha esse movimento da alta das commodities na variação dos preços. A inflação foi a 0,87% em agosto – o maior salto em 21 anos – e acumulou alta de 9,68% nos últimos 12 meses. O aumento dos combustíveis foi o principal fator para a alta no mês passado.

Ontem, 14, o presidente da Petrobras (Petróleo Brasileiro), Joaquim Silva e Luna, participou de uma sessão no Congresso para falar sobre os preços dos combustíveis e gás de cozinha no País. Segundo ele, o valor da gasolina é parte para quitar investimentos, juros de dívidas e os custos de produção, e também para o pagamento de impostos.” [A Petrobras] faz investimentos selecionados e tem uma forte governança para evitar qualquer desvio”, afirmou. De acordo com o presidente, a empresa é responsável por 34% do preço do litro da gasolina. O restante, explicou, é dividido entre impostos da União e dos Estados, além da margem de lucro dos postos, refinarias e o custo da adição de etanol.

 

Impacto na inflação

Em 2021, o combustível se transformou num dos vilões da inflação, responsável por afetar duramente o orçamento das famílias brasileiras – já prejudicadas pela alta dos alimentos e da energia elétrica. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a gasolina acumula no ano uma alta de 31,09%. Os preços de venda dos combustíveis seguem o valor do petróleo no mercado internacional e a variação cambial. Dessa forma, uma cotação mais elevada da commodity e/ou uma desvalorização do real têm potencial para contribuir com uma alta de preços no Brasil, por exemplo.

Os preços cobrados nas bombas viraram motivo de embate entre o presidente e os governadores recentemente. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tem cobrado publicamente que os Estados reduzam o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para que, dessa forma, os preços da gasolina e do diesel recuem.

Mas o que os analistas dizem é que o real desvalorizado tem contribuído para o aumento do preço dos combustíveis. E o que dá força para esse movimento de perda de valor da moeda brasileira são as várias incertezas dos investidores com relação ao rumo da política econômica do Governo Bolsonaro. Em Goiás, a alíquota do ICMS é de 30% e não 32%, como disse o presidente na época. (Por Eduardo Marques / jornalismo@diariodeaparecida.com)

 

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