Segunda, 20 de Setembro de 2021
20 de Setembro de 2021
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Preços disparam e reduzem padrão de vida das famílias aparecidenses

Puxada pelos consecutivos aumentos da gasolina e da conta de luz, prévia da inflação ultrapassa 9% em 12 meses. Mercado financeiro reage mal após discurso antidemocrático de 7 de Setembro do presidente Jair Bolsonaro, acentua a crise e eleva ainda mais os valores finais dos produtos para os consumidores

Com a alta da inflação e do dólar, os valores finais dos produtos para os consumidores aparecidenses aumentaram. Para se ter uma ideia, há postos de combustíveis no município que vendem o litro da gasolina a R$ 7. Devido a esse valor, a cesta básica também sofreu reajustes. Na semana passada, o gás de cozinha começou a ser vendido mais caro, com alta de 7%. De acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço médio do botijão de 13 kg chega a custar R$ 130.

Vale frisar que a disparada de preços colocou o Brasil em terceiro lugar no ranking de inflação da América Latina, atrás somente da Argentina e do Haiti, países que enfrentam, respectivamente, uma dura e persistente crise econômica e uma ebulição política e social, marcada por desastres naturais. No acumulado em 12 meses até julho, a inflação do Brasil chegou a 9,30%, enquanto a da Argentina somou 51,8% e a do Haiti, 17,9%. Os dados integram um levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas. O estudo não leva em conta o desempenho da Venezuela. O país vive um colapso econômico e apresenta indicadores distorcidos, que inviabilizam a comparação com outras economias. Eletricidade e gasolina puxaram a alta da inflação brasileira.

Essencial na mesa da família brasileira, o preço do arroz também disparou nos supermercados da cidade, sobretudo nas últimas semanas. Um pacote de cinco quilos, normalmente vendido a cerca de R$ 15, agora chega a custar R$ 40. Levantamento feito pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, mostra que a alta do arroz chega a 100% em 12 meses. E não há alívio no bolso do brasileiro no horizonte. Produtores e especialistas dizem que os preços devem continuar subindo nos próximos meses.

Na semana passada, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pediu “patriotismo” aos supermercados para segurar os preços de itens da cesta básica. “Estou pedindo um sacrifício, patriotismo para os grandes donos de supermercados para manter na menor margem de lucro”, disse. O encarecimento do arroz vem das etapas anteriores. Segundo a Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz), o produto comprado dos produtores pelas indústrias ficou 30% mais caro só em agosto. Assim como outros produtos da cesta básica, como óleo de soja e feijão, a alta do arroz está ligada à valorização do dólar, que torna as exportações mais lucrativas para os produtores.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) definiu o novo valor da tarifa extra da energia elétrica. A partir de 1º de setembro, a bandeira vermelha passou para R$ 14,20 a cada 100KWh, ante os atuais R$ 9,49 – um aumento de 49,6%. Com isso, em média, a conta de luz ficará 6,78% mais cara. A vigência da nova tarifa vai até abril de 2022. Segundo a Aneel, o País está passando pela pior seca dos últimos 91 anos, o que obrigou que o sistema de geração de energia tivesse ajuda de usinas termelétricas, cujo custo de operação é bem mais alto e poluente. O Brasil também está importando energia de países vizinhos, em dólar.

O novo reajuste da conta de luz dará um choque no orçamento das famílias, que já está impactado pela inflação, que está em disparada. Os consumidores estão tendo de cortar produtos básicos para bancar a fatura da energia. Muitos, no entanto, estão caindo na inadimplência. Segundo a Aneel, somente os cidadãos de baixa renda beneficiados pela tarifa social não serão afetados pelas novas regras da bandeira tarifária, sendo mantido o valor atual. As bandeiras –verde, amarela e vermelha – constam da conta de luz e servem para indicar a necessidade de se reduzir o consumo. Do contrário, o cliente paga mais.

 

 

Fala de Bolsonaro afasta investidor estrangeiro

Ao O Globo, o gestor de fundos da Arena Investimento, Mauricio Pedrosa, destaca que a fala de Bolsonaro afasta o investidor estrangeiro, em um momento de liquidez alta no mundo e com a necessidade do Brasil por investimentos. “Ontem [terça], nós demos um passo para trás em termos de segurança jurídica, que é o que o investidor de longo prazo precisa para trazer dinheiro para cá e nós temos uma necessidade enorme. O Brasil é importador de capital.”

Para o gestor, a tendência é de que o sentimento negativo continue nos próximos pregões. Isso porque a resolução de problemas como os precatórios, que vinham sendo tratados com o Judiciário, e a tramitação de reformas ficam mais difíceis com o comportamento de Bolsonaro. “Ontem [terça], quando ele disse que não vai obedecer a uma ordem do Judiciário, isso não pode ser visto como uma coisa normal. Fica muito mais difícil os bombeiros resolverem o problema dos precatórios, que precisa ser encaixado no Orçamento do ano que vem.”

O gestor de fundos ainda destaca que o ambiente de maior radicalização ocorre enquanto o País vive problemas graves como a crise hídrica e a alta da inflação. “O País amanheceu com os mesmos problemas, que estão esperando resposta há algum tempo, e com um quadro político mais conflagrado e com menor segurança jurídica. E dólar, juros e Bolsa estão mostrando que, além dos problemas estruturais que nós temos, vamos afastar possíveis investidores, tanto os estrangeiros quanto os nacionais.” (Por Eduardo Marques / jornalismo@diariodeaparecida.com)

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