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Prefeitura de Aparecida autoriza destruição de área pública para construção de empreendimento

Apregoada como uma cidade sustentável pela atual gestão, Aparecida de Goiânia preocupa os cidadãos com o aterramento de um brejo que está ocorrendo a olhos vistos numa Área de Preservação Permanente. Interpretado pelos próprios denunciantes como ‘descaso do poder público municipal’, o ato revela agressividade ao meio ambiente. Localizado no Setor Garavelo Park, ao lado do Anel Viário, há nascentes no local e várias espécies de buriti. Os autores das imagens enviadas ao Diário de Aparecida lamentaram o caso e declararam se tratar de uma calamidade pública.

Ao DA, a Secretaria Municipal de Comunicação (Secom) confirmou que a área é privada e está em preparação para a construção de um empreendimento. Um dos reclamantes disse que, independente do que será feito no local, não há como se calar, pois, na opinião popular, a destruição do meio ambiente torna a construção irregular.

O delegado titular da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Meio Ambiente (Dema), Luziano Carvalho, disse que, pelo levantamento que sua equipe fez in loco, pode-se afirmar de que se trata de uma Área de Preservação Permanente.

“Recebemos denúncias de várias pessoas. A manifestação foi grande, vídeos, fotos, telefonemas e relatórios de técnicos, o que nos levou a apurar, instaurar o inquérito e solicitar respostas ao município, o que estamos aguardando. Requisitamos a Polícia Técnico-Científica, que foi [ontem, 2] ao local para fazer os levantamentos técnicos devidos à perícia. Eu não tenho dúvidas de que lá é Área de Preservação Permanente, porque se tem nascentes, mananciais, buritis e outras espécies, é permanente”, falou o delegado.

 

“Como que se fala de ‘cidade inteligente’ se a inteligência das pessoas da gestão municipal não percebe a importância do lugar”

Professora de Meio Ambiente da Universidade Federal de Goiás (UFG), Patrícia Elias Sahium disse que teve conhecimento da situação por meio de um dos colegas, e afirmou que o local é uma área de captação de água que precisa ser preservada para manutenção da água para a população. Segundo ela, a abundância de buritis, veredas e olho d’água serve para infiltrar a água da chuva e abastecer o lençol freático.

“Isso é um absurdo! Mais uma área de Aparecida sendo destruída para fazer edificações. O que estão fazendo com o município é vergonhoso. Como que se fala de ‘cidade inteligente’ se a inteligência das pessoas que trabalham na gestão pública não percebe a importância de uma área dessa. Aparecida de Goiânia, daqui uns sete anos, poderá não ter mais água para ofertar a toda população”, falou Sahium. Ela alertou ainda que, se não tomarem providências, logo não haverá água para abastecer o município.

 

Resposta da prefeitura

A Secretaria de Meio Ambiente de Aparecida de Goiânia (Semma) informa que a área em questão é privada e que, como no local há duas nascentes com característica de Área de Proteção Permanente (APP), o empreendimento precisa seguir uma série de regras e normas ambientais. Informa que os responsáveis apresentaram todas as documentações de cumprimento das leis ambientais, incluindo o distanciamento de 30 metros das nascentes e áreas verdes. A Semma informa que está acompanhando as obras. (Ana Paula Arantes / jornalismo@diariodeaparecida.com )

 

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