Segunda, 20 de Setembro de 2021
20 de Setembro de 2021
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Prefeitura de Aparecida derruba barracos e despeja moradores do Vale do Sol

Gestão municipal afirma que o local é de praça pública e que não poderia estar ocupado. Nas filmagens divulgadas pela população é possível ver moradores carregando objetos nas costas e mulheres aos gritos, enquanto máquinas derrubavam com truculência as construções. Área estava habitada por cerca de 90 famílias com mais de 300 crianças

Imagens da desocupação de famílias do Bairro Vale do Sol, próximo ao Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, chegaram à redação do Diário de Aparecida. Pelos vídeos é possível atestar a ação realizada pela Prefeitura de Aparecida em conjunto com a Guarda Civil Municipal (GCM). Segundo um dos empresários que promovem ajuda humanitária aos moradores, Renato de Faria, no local habitam cerca de 90 famílias, com mais de 300 crianças, entre enfermos acamados e deficientes físicos, todos necessitados de alimentos, acessórios de higiene e itens de sobrevivência.

De acordo com os denunciantes, a máquina que aparece na filmagem derrubou barracões habitados. Nas filmagens é possível ver moradores com objetos nas costas e ouvir gritos de mulheres e crianças. Renato de Faria diz que as imagens deveriam chegar a uma das secretarias mais humanitárias que existem, que, em sua opinião, é a de Assistência Social, por ser assustadora a vulnerabilidade social das pessoas.

“Além de não ter nada, como luz e água, os barracos de madeira e plástico foram para o chão. Ali há venezuelanos, haitianos, crianças, pais e mães debaixo das lonas e palafitas. A Assistência Social, no mínimo, tinha que cadastrar e levar essas famílias para um ginásio, e conduzi-las para uma área que possa ser regularizada. O próprio prefeito Gustavo Mendanha tem que saber o que acontece com estas pessoas que confiam e esperam por ele. O povo do Vale do Sol não vai desanimar”, ressaltou o empresário.

É normal derrubar os barracos?

“O prefeito precisa conhecer nossa realidade, e não mandar a Justiça derrubar nossas casas. É normal derrubar os barracos? Saímos da nossa terra para trabalhar e buscar uma moradia melhor para nossos filhos, dar a eles estudo, vida digna para que amanhã não virem bandidos e a polícia vir matar. Mas precisamos dos serviços da prefeitura, postos de saúde e Cmei’s. Tem mães que não têm onde deixar seus filhos para irem trabalhar. Recebemos doações dos empresários para matar a fome de alguns, mas ninguém nos reconhece”, clamou Dona Carlene, líder da comunidade.

Resposta da prefeitura

“A Secretaria de Planejamento e Regulação Urbana de Aparecida informa que realizou na manhã desta quinta-feira, 9 de setembro, a ação de remoção de estacas e arames de uma área pública no Setor Vale do Sol, que é destinada para a construção de uma praça de lazer e convivência. Informa que a área, por ser pública, não permite edificações e construções privadas. A secretaria informa que, antes da ação desta quinta, notificou as pessoas que estavam no local de que não poderiam continuar ali. Informa também que não haviam casas ainda construídas. A ação contou com o apoio da Guarda Civil Municipal e da Secretaria de Infraestrutura.”

 

“Será criado projeto de lei que contemplará famílias de área de risco de extrema vulnerabilidade social”

Segundo informações do secretário municipal de Habitação, Willian Panda, ao DA, os moradores estão embaixo da rede de alta tensão de energia de Furnas Centrais Elétricas, e que existe o processo para a remoção das famílias. Panda afirma que parte das pessoas ocupava um local de praça pública.
“Essa ação de desocupação não passou aqui pela Secretaria de Habitação. Porém, é um conflito que está acontecendo, inclusive houve uma denúncia de loteamento irregular, onde pessoas estavam piquetando debaixo dos fios de alta tensão e vendendo os lotes no OLX. O processo não está na Secretaria Municipal de Habitação”, frisou Panda.
As invasões de maior popularidade no município são as dos setores Alto da Boa Vista, com 600 famílias; Norberto Teixeira, com cerca de 150; Continental, com 600 famílias; Tocantins, com dezenas de famílias em áreas de risco. De acordo com Panda, todas as ocupações que procurarem a Secretaria de Habitação de Aparecida serão identificadas e inseridas no programa que contemplará, com moradias, habitantes de áreas de risco e de extrema vulnerabilidade social.
“Estamos enviando nos próximos dias para a Câmara Municipal um projeto de lei para criar um programa municipal de moradia para atender essas famílias de baixa renda. Estamos identificando essas famílias em vários locais, principalmente as que já moram em Aparecida há muito tempo e estão dentro da legislação vigente, para que seja propiciado um loteamento popular”, garantiu. (Por Ana Paula Arantes / jornalismo@diariodeaparecida.com)

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