Sábado, 24 de Julho de 2021
24 de Julho de 2021
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Protocolo para salvação de vidas inclui templos e igrejas fechados

Não se discute se religião é atividade essencial ou não, o importante é que aglomerações têm de ser evitadas a qualquer preço

Dirigentes religiosos gravaram vídeos quase às lágrimas protestando contra a decisão de fechar igrejas durante o período em que a Covid-19 estava explodindo em casos. Gritaram. Jogaram praga. Ameaçaram. Chamaram de ingratos governadores e prefeitos. Achincalharam ministros do STF. Quanto mais picareta, mais expeliu impropérios.
Pastores e padres estavam corretos e errados:
ACERTO – Realmente, as igrejas têm papel importante na sociedade, servem como assistência social, recuperadora de dependentes químicos, terapia de família, hospital de alma…

EQUÍVOCO – Não esclareciam aos fiéis que o coronavírus é transmitido também dentro de igreja, como em qualquer aglomeração, que o culto doméstico, on-line, também é de Deus.
Ou seja, são necessidades de solução adiável, mas os cuidados com a Covid-19 exigem urgência. Para orar, rezar, conversar com Deus, ninguém precisa sair de casa. O esteio é a Palavra sagrada. Se estão dois ou mais reunidos em Seu nome, ali Ele estará. Aquele que crê e a frequenta sabe que igreja é fundamental, mas não é criação de Deus. O homem, sim.
Então, preservar a vida do ser humano é mais divino que frequentar igreja. Alguns oportunistas colocaram em ação teorias conspiratórias de proibição definitiva de religiões, perseguição ao povo de Deus, comunismo, obra do diabo e outros absurdos. Nada disso. A paralisação momentânea de atividades que gerem aglomerações é vital em pandemias. A movimentação nas igrejas é uma delas.
Neste texto não se avalia se padres e pastores realmente representam Deus. Se seus templos são superiores a sinagogas, terreiros, centros espíritas. Se o próprio cristianismo oferece disparidades imensas em relação ao Cristo. Nem se discute também a apropriação do nome de Deus por determinados grupos. O que se deseja é tranquilizar: a igreja é você. Quem não pode se fechar ao sagrado é você. Você e sua família estão em casa invocando o nome do Senhor? Eis o culto, eis a missa, eis o propósito se realizando.
Maluquetes da política celebram não o Cristo que salva, cura, batiza e voltará. Invocam um deus raivoso, um cristo vingativo, ou seja, um sagrado fake. O que esses usurpadores desejam é a volta das Cruzadas, incendiar livros, queimar gente viva. Se alguém rebate um post nas mídias sociais ou no WhatsApp com algo que os contrarie, os radicais se revelam distantes de Jesus: despejam sua ira, digitam/falam palavrões, o interlocutor vale exatamente nada. Espera-se de padres e pastores que façam exatamente o contrário.
As autoridades na área de saúde, sobretudo as sanitárias, recomendam aos chefes de Executivo as medidas de proteção. Aí entrariam as igrejas, pastores, padres, bispos, apóstolos, cardeais, arcebispos, cantores gospel, diáconos, presbíteros, missionários, obreiros, sacristãos: explicar ao fiel a importância do protocolo para permanecer saudável e salvar vidas.
Que Jesus perdoe esses falsos profetas e aja para que se convertam. Que Deus tenha piedade de quem usa Seu nome para fins de extermínio de sua criação mais popular, um filho imperfeito, falho, mas que leva Seu nome a todos os rincões e pecadores, inclusive aos que se arvoram de pastores, mas fazem papel de lobos: o homem.

Ambientes religiosos coletivos são de alto risco, diz a ciência

Ambientes fechados, pouca ventilação, amplo contato entre fiéis, uso compartilhado de objetos, cantos litúrgicos– elementos como esses são comuns em celebrações religiosas, mas, no contexto da pandemia de Covid-19 que vem assolando o mundo, podem representar também um “coquetel explosivo” para a disseminação do novo coronavírus, causando mais infecções e, portanto, mais mortes.
Dessa forma, liberar missas e cultos em todo o Brasil, do ponto de vista epidemiológico, “vai contra qualquer medida de bom senso para preservar vidas e controlar a pandemia”, disse à BBC News Brasil Denise Garrett, infectologista, ex-integrante do Centro de Controle de Doenças (CDC) do Departamento de Saúde dos EUA e atual vice-presidente do Sabin Vaccine Institute (Washington).
“Celebrações religiosas são ambientes de alto risco. Temos vários relatos de surtos originados em locais de culto. Não somente por serem ambientes fechados, mas também pelas atividades desenvolvidas (orações, corais, canto) que propiciam liberação de partículas virais no ar”, explica.
“Então, do ponto de vista epidemiológico, a reabertura de igrejas nesse momento da pandemia no Brasil, com altas taxas de transmissão e falência do sistema de saúde, é algo que vai contra qualquer medida de bom senso para preservar vidas e controlar a pandemia”, acrescenta a infectologista.

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