Quinta, 05 de Agosto de 2021
05 de Agosto de 2021
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Queda na arrecadação e fim da ajuda federal mergulham Aparecida em crise financeira

Impacto da Covid-19, que afetou recolhimento dos tributos municipais, mas aumentou as despesas, soma-se à ausência de repasses da União para complicar a vida do prefeito Gustavo Mendanha

A Prefeitura de Aparecida vive uma crise financeira. São vários os motivos: 1) a redução na arrecadação dos impostos municipais, motivada pela desaceleração econômica provocada pela Covid-19; 2) a ausência, em 2021, de repasses federais para auxiliar nas despesas de enfrentamento à pandemia; e 3) a ressaca provocada pela elevação de despesas em 2020, ano eleitoral, impactando, por exemplo, os serviços de conservação urbana, que funcionaram muito bem no ano passado, mas foram agora praticamente suspensos, deixando a cidade invadida pelo lixo, pelas erosões e pelo matagal que tomou conta dos milhares e milhares de lotes baldios existentes nos bairros.
Não à toa, o 2º mandato do prefeito Gustavo Mendanha, que já consumiu mais de 100 dias, não tem ainda nenhuma realização concreta para apresentar. As promessas da campanha, algumas repetidas quanto às que foram feitas no 1º mandato e não cumpridas, continuam na estaca zero. Nenhuma teve a sua execução sequer iniciada, a não ser a criação da Secretaria de Segurança, que só existe no papel, que acabou contribuindo para elevar a folha de pessoal, já que teve a sua estrutura de cargos preenchida com indicados pelos partidos políticos e pelos 25 vereadores.
Em entrevista à rádio Sagres, postada também no YouTube, o secretário de Fazenda, André Rosa, admitiu que a situação é difícil. E deu números: em 2020, a arrecadação tributária, além de não subir, como acontecia a cada ano, caiu em R$ 55 milhões. Este ano, a queda continua, pelo mesmo motivo, ou seja, os reflexos da crise do novo coronavírus na economia. Rosa tem esperança de que, com o escalonamento intermitente do comércio, indústria e serviços, por regiões, que mantém 60% da cidade com as portas abertas diariamente, haja alguma reação e que a perda de tributos municipais fique no máximo em R$ 35 milhões/ano.
O município vive ainda uma dificuldade extra: a suspensão dos repasses federais extraordinários para a luta contra a Covid-19, que, em 2020, segundo ele informa, foram fundamentais para cobrir o rombo aberto pela menor entrada de impostos municipais. De janeiro até agora, não chegaram recursos novos da União para Aparecida. Nem um único centavo. Os gastos com a pandemia, portanto, estão sendo bancados pela própria prefeitura, pressionando violentamente o caixa com dispêndios, por exemplo, como a manutenção do Hospital Municipal, que é caríssima.
É o contrário do que acontece em Goiânia, onde, em 2020, a arrecadação subiu. Os números apresentados pela prefeitura mostram que a Capital, apesar do primeiro ano de pandemia e das consequências econômicas das medidas de combate à Covid-19, conseguiu fechar o balanço financeiro no azul, com aumento da arrecadação e até mesmo dos investimentos, além de redução no nível de endividamento.

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