Segunda, 20 de Setembro de 2021
20 de Setembro de 2021
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Renúncia ao mandato e rompimento com MDB podem liquidar Mendanha

Maguito fez tudo para transformar Gustavo Mendanha no que ele é hoje, mas, se o troco for traição, Aparecida pode condenar o seu atual prefeito. Memória do ex-gestor está viva entre o eleitorado de Aparecida, que tende a não assimilar as atitudes de Mendanha contra a família Vilela

A eventual migração do prefeito de Aparecida, Gustavo Mendanha, do MDB para outro partido, por se recusar a aceitar a provável deliberação da maioria dos segmentos da sigla a favor da aliança com o governador Ronaldo Caiado, certamente o colocará em situação de desconforto perante os aparecidenses, pela quebra de lealdade à memória do ex-prefeito Maguito Vilela e de Daniel Vilela, filho de Maguito.

Suas reiteradas declarações até poucas semanas atrás de que “jamais” disputaria contra Daniel, a quem chamava de “meu irmão”, continuarão ecoando nos ouvidos da população.

O carinho dos habitantes de Aparecida para com Maguito Vilela é enorme. A sua decisão de disputar eleição de prefeito na cidade, em 2008, foi recebida pelos aparecidenses com sensação de orgulho, por se tratar não apenas de um simples candidato, mas de um político de nível superior, que trazia a experiência de quem já havia sido vereador em Jataí, deputado estadual, deputado federal constituinte, vice-governador, governador e senador.

Ter um candidato a prefeito com tanta experiência e tantas qualidades elevou a autoestima dos habitantes, enxergando no projeto a possibilidade de a cidade ter uma administração transformadora e inovadora, capaz de acelerar o desenvolvimento no município.

Após mais de 25 anos vendo Aparecida sendo comandada politicamente por um mesmo grupo político – o grupo do ex-prefeito Norberto Teixeira –, os aparecidenses já aparentavam cansaço e a sensação de agastamento com um mesmo estilo administrativo. O ciclo iniciado por Norberto foi encerrado com a administração do prefeito José Macedo, em 2008, que havia sucedido a Ademir Menezes. Não vai aqui nenhuma crítica ao estilo de governar desse grupo, que deu sua contribuição ao desenvolvimento do município enquanto esteve no poder. Contudo, a exposição por mais de um quarto de século acabou cansando as suas lideranças.

Por esse motivo, a chegada do ex-governador Maguito à cidade em 2008, como candidato a prefeito, teve efeito icônico no processo de mudança almejado pelos aparecidenses. E Maguito não decepcionou. Com uma administração bem avaliada, o que lhe assegurou tranquila recondução em 2012, para mais quatro anos.

Em 2016, seu último ano de mandato, Maguito Vilela escolheu o então vereador Gustavo Mendanha como candidato à sua sucessão, em meio a uma disputa na qual havia uma cambulha de outros postulantes à indicação entre os partidos da sua base política. Maguito entrou na campanha de Gustavo com determinação, como se fosse ele o candidato. Isso está vivo na lembrança do eleitorado aparecidense.

Um eventual rompimento de Mendanha com o MDB, hoje, ainda teria dois outros fatores com potencial para desgastar a sua imagem:

1) ao longo dos seus 39 anos, que serão completados em outubro, ele nunca “sassaricou” por nenhum partido além do MDB. Já nasceu peemedebista. Uma mudança agora por recusa em aceitar a deliberação da maioria do partido pode não ser bem assimilada pelos eleitores;

2) renunciar a 2 anos e 9 meses de mandato para entrar numa disputa pouco ou quase nada promissora, até o momento, poderia lhe render cobranças por explicações pela falta de grandeza, ao se negar a reconhecer a decisão da maioria no MDB, bem como ausência de nobreza no gesto para justificar rompimento, apenas porque na escolha entre duas propostas na sigla, a sua foi rejeitada. (Por Divino Olávio / Blog Notícia Pura)

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