Terça, 21 de Setembro de 2021
21 de Setembro de 2021
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Revoltados, artistas de Aparecida denunciam atraso no lançamento de edital da Lei Aldir Blanc

Reforma Administrativa de Mendanha elevou status de secretaria-executiva para Secretaria de Cultura, mas ainda não promoveu investimentos próprios na pasta, o que frustra artistas locais e gera revolta. Criada pelo governo federal para ajudar setor cultural, representantes locais reclamam que a falta do recurso prejudica continuação de projetos

À espera desde julho deste ano, artistas de Aparecida de Goiânia se mobilizam para cobrar da prefeitura, por meio da Secretaria de Cultura (Secult), a publicação do edital da Lei Aldir Blanc, criada pelo governo federal, que disponibiliza um auxílio emergencial para ajudar artistas e espaços culturais afetados pelos reflexos econômicos da pandemia do novo coronavírus. A pasta iniciou o repasse do recurso em fevereiro de 2021, porém suspendeu em seguida, sem fornecer informações para a classe artística. O movimento do segmento destacou que a próxima ação do grupo é solicitar a destituição da atual gestão da Secult pelo suposto não cumprimento de suas funções.
No primeiro edital, foram destinados valores que variam de R$ 1,5 mil a R$ 10 mil. Cerca de 300 propostas foram habilitadas e 192 propostas foram selecionadas. A partir do recebimento, os aprovados tiveram 45 dias para a execução e comprovação do projeto. Já para os espaços culturais, a Prefeitura de Aparecida repassou de R$ 3 mil a R$ 30 mil, conforme as despesas de cada espaço. Ao todo, 55 espaços culturais de Aparecida que se inscreveram no subsídio e atenderam os requisitos solicitados no edital receberam o benefício.
Condicionado a uma exigente prestação de contas pela regulamentação federal, o subsídio deverá ser destinado a cobrir exclusivamente gastos relativos à manutenção das estruturas e atividades afetadas pela pandemia. Atingida em cheio pelas consequências financeiras que o vírus trouxe, a professora Geane, que possui um projeto de ballet clássico com crianças do Bairro Ilda, explica ao Diário de Aparecida que antes ela ocupava um espaço público no bairro e a atual gestão da Cultura, de acordo com ela, suspendeu o contrato. Com o espírito de persistência, ela resolveu alugar um outro local em Goiânia para manter a chama viva do projeto, no entanto, sofre dificuldades para mantê-lo, em razão da falta de recursos.
“Eu consegui o auxílio na primeira vez. Deu para pagar meus aluguéis atrasados, porque eu estava em um espaço público e por conta desta gestão atual [Cultura] eles conseguiram acabar com o meu projeto nesse espaço público. Por conta disso, tive que me mudar. O auxílio veio em boa hora. Não dei entrada no meu auxílio de novo porque me disseram que iriam avisar como seria a dinâmica, mas até hoje nada. Não está sendo fácil manter o projeto. Lá, têm várias crianças que precisam de ajuda, não só matrícula, mas de cesta básica, medicação. Fazemos um trabalho assistencial também”, disse.

Promessa
não cumprida
Assim como a população, ela também espera ansiosamente pela inauguração do Anfiteatro Municipal para auxiliar na execução do projeto social em Aparecida. “Pedi ajuda durante a campanha, e eles me garantiram que iriam inaugurar o Anfiteatro Municipal e estou com espetáculo pronto e fui obrigada a alugar o Teatro Sesi no valor de R$ 4 mil, além de outras despesas. Se eu tivesse o valor do auxílio emergencial, eu não passaria por isso. A prefeitura nunca me apoiou. Me sinto rejeitada e excluída. Infelizmente, fico só este ano em Aparecida e estou saindo da cidade. Me sinto desamparada pela Secretaria de Cultura do município”, desabafa a professora.
A educadora lamenta por esse desprezo da prefeitura com a classe e garante que não tem intenção de abandonar o projeto em Aparecida, mas se o repasse do recurso não for distribuído, ela não tem outra escolha. “Se não sair essa grana, não tem como eu manter o espaço. O dono do prédio quer aumentar o meu aluguel. Então, não é viável. Vou tentar alugar uma perua para transportar as meninas para o destino que vou, que é o Parque Amazônia, em Goiânia. O ballet é um trabalho árduo. Estamos passando por esse momento de competição. Em outubro, vamos participar de uma competição e vamos tentar bolsas no ano que vem. Vamos tentar alavancar a carreira dessas meninas. Não podemos parar. Estamos dando continuidade no projeto delas. A Secretaria de Cultura não entende nada disso e não estão dando a mínima. Eles estão com a razão e a gente não”, reclama.
O produtor cultural Thiago Marques faz coro com a colega e classifica o atraso da Secult em lançar o edital da Lei Aldir Blanc como “revoltante”. Ele diz que a classe artística sofre com todos os problemas para sobreviver. “As dificuldades que estamos passando são todas as possíveis de um setor, o qual foi o mais afetado pela situação de isolamento imposta. A prefeitura da cidade não fornece apoio para nós artistas, a não ser adiando mais uma vez um edital emergencial”, ironizou. Além disso, ele denuncia a Secult e garante que estão tentando intimidar o movimento. “Não vou recuar. Não vão me calar!”, frisa ao DA. (Por Eduardo Marques / jornalismo@diariodeaparecida.com)

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