Quarta, 21 de Abril de 2021
21 de Abril de 2021
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Spray nasal israelense prometido por Mendanha é medicamento que não existe

Em vez de aderir ao novo protocolo de endurecimento das medidas preventivas contra o coronavírus, o prefeito de Aparecida Gustavo Mendanha resolveu investir em marketing para combater, sem nenhum resultado, claro, o avanço descontrolado da pandemia no município.
Ele anunciou que entrou em contato com a embaixada de Israel no Brasil para trazer para Aparecida o spray nasal que supostamente atenuaria os efeitos negativos da doença sobre os pulmões dos infectados.


Trata-se de um medicamento batizado, por enquanto, de EXO-CD24, teoricamente com potencial para frear o processo inflamatório intenso que acontece nos pulmões, resultante de uma resposta desregulada do sistema imunológico à invasão do vírus. Alguns estudos mostraram que esse processo, conhecido como tempestade de citocinas, estava ligado a uma maior mortalidade de pacientes da Covid-19.


Em teoria, parece um avanço. Na prática, não há nada concreto. O spray nasal é mais um medicamento apregoado no Brasil pelo presidente Jair Bolsonaro, em sua busca desesperada para desqualificar os efeitos do novo coronavírus e insistir que não passaria de uma “gripezinha”, como disse várias vezes.


Bolsonaro promove remédios sem comprovação científica como soluções contra a Covid-19. Ao mesmo tempo, desdenha de procedimentos recomendados pela OMS (Organização Mundial da Saúde), como uso de máscaras e distanciamento social. Também questionou a segurança e a eficácia das vacinas contra a Covid-19, chegando a dizer que ele mesmo não tomaria o imunizante. O Brasil é o segundo país do mundo em mortes por Covid-19. Aparecida, particularmente, está em situação crítica com o avanço da pandemia, com o prefeito se recusando a tomar medidas mais rígidas de prevenção sanitária. Quase 700 aparecidenses já morreram vítimas da doença.


Gustavo Mendanha embarcou na canoa furada do EXO-CD24, O remédio é real, porém longe de possuir condições para ser aplicado em Aparecida tão cedo, até mesmo em experimentação. Testes clínicos para qualquer remédio têm três fases, realizadas em grupos cada vez maiores de pessoas, sob rigoroso controle científico. O spray nasal ainda está apenas na 1ª fase. Também precisam passar por situações em que o efeito do remédio em pacientes é comparado com o efeito de placebos, procedimento padrão em testagem de medicamentos. Isso demora muito tempo. Para este ano, nem pensar. E isso se no final das contas tudo terminar favoravelmente, coisa que até agora, para combater a infecção do coronavírus, nenhum remédio conseguiu ainda.

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