Quinta, 15 de Abril de 2021
15 de Abril de 2021

Taxa de ocupação de leitos de UTI para Covid-19 ultrapassa a marca de 80% em Goiás

Autoridades repetem apelo para população seguir recomendações sanitárias

De acordo com dados do Painel Covid-19 da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO), a taxa de ocupação para Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) geral (incluindo rede privada e pública) em Goiás chegou a 80,56% na tarde desta segunda-feira, 15. Já a de enfermaria atingiu 51,50% de ocupação. 

O Hospital de Campanha (HCamp) de Goiânia chegou a 100% de ocupação dos leitos de UTIs voltados ao tratamento da doença duas vezes ontem, 15. A primeira pela manhã e a segunda já no fim da tarde. Essa foi a primeira vez que a unidade atingiu sua capacidade máxima desde sua abertura no início da pandemia no Estado em 2020.

Segundo informações da SES-GO, dos 295 leitos de UTIs para Covid-19, apenas 33 estavam disponíveis nos hospitais administrados pelo Governo do Estado até o fim da tarde de ontem, 15, o que correspondia a 88,81% de ocupação. A situação também é crítica nas enfermarias. 62,27% delas já estavam ocupadas. 

Quem considerar que a rede privada goiana esteja em situação favorável vai se decepcionar. Conforme o levantamento da pasta, dos 102 leitos de UTIs para tratar do vírus, 86 estavam ocupados, o que correspondia a um percentual de 84,31%. Já as de enfermaria o índice era de 68,07%. 

A SES-GO informou ainda que há 372.809 casos de doença pelo novo coronavírus no território goiano. Destes, há o registro de 358.065 pessoas recuperadas e 7.984 óbitos confirmados. No Estado, há 316.190 casos suspeitos em investigação. Já foram descartados 224.973 casos. 

Havia 7.984 óbitos confirmados de Covid-19 em Goiás até o fechamento desta matéria, o que significava uma taxa de letalidade de 2,14%. Havia ainda 179 óbitos suspeitos que estavam em investigação. O levantamento oficial realizado pela SES-GO apurou que também já haviam sido aplicadas 177.062 doses das vacinas contra a Covid-19 em todo o Estado.

Preocupação

A superintendente de Vigilância em Saúde, Flúvia Amorim, disse que o Estado e os municípios estão trabalhando para evitar o colapso do sistema de saúde. “Está sendo feito um trabalho de leitos disponíveis para que a gente possa ampliar [a quantidade de vagas]. Mas é necessário entender que essa ampliação é limitada. Então as pessoas precisam entender que, mais que ampliar leitos, precisamos controlar a aceleração da transmissão. E controlar a transmissão neste momento significa usar máscara sempre que sair de casa, manter distanciamento físico, higienizar as mãos e evitar aglomeração.”

Segundo ela, as vacinas estão chegando, mas mesmo assim a população não pode relaxar quanto aos cuidados, porque a Covid-19 é muito perigosa. “Além de ver o número crescente de casos, estamos vendo o aumento da taxa de ocupação de leitos, que é o que mais nos preocupa neste momento. Todos precisam entender que a ampliação de leitos tem um limite”, salientou.

Ela ressaltou que não há nenhuma contraindicação do uso de máscara de tecido. “Hoje não há nenhuma contraindicação do uso de máscara de tecido, desde que ela seja feita corretamente de acordo com os protocolos e quem tiver interesse está no site da Secretaria de Saúde. Mas ela precisa e deve ser usada. Ela evita que a gotícula de saliva na hora que a pessoa está conversando ou está respirando seja dispersa no ar ou no ambiente. Ela é muito inteligente. Continuem usando máscaras em todo momento fora de casa.”

A especialista também comentou sobre a Lei Seca em Goiás. Para ela, independente de decreto, a população tem o dever de se conscientizar para combater a doença. “Lei seca é uma tentativa de frear a doença no Estado. Precisamos utilizar as armas possíveis. Independente de decreto, as pessoas precisam entender que elas têm uma responsabilidade no controle da transmissão dessa doença nesse momento que estamos vivendo agora, com altas taxas de ocupação de UTIs no Estado de Goiás. Nada adianta ter leis se as pessoas não cumprem”, advertiu. 

O infectologista Marcelo Daher considera o cenário como crítico. “A gente espera que se abram novas vagas e que a população entenda a necessidade de ficar em casa e se cuidar. Esses dados estão sendo alertados há algum tempo, mas a população não vem fazendo a sua parte”, disse.

Ele alertou que as aglomerações registradas em vários pontos do estado podem piorar ainda mais a situação nas próximas semanas. “Provavelmente, o que nós vamos ver em março é uma situação muito mais grave do que estamos observando agora e a do que observado em agosto, que foi quando registramos o pico.”

Por Eduardo Marques

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