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Tempo, poder e autoridade moral são vantagens de Caiado para a reeleição

A decisão de Ronaldo Caiado (DEM) de antecipar, em mais de um ano, a formação da chapa majoritária às eleições de 2022, com o convite ao MDB, despertou intenso debate na base aliada, mas o governador tem musculatura política suficiente para chegar às convenções de julho com uma forte coligação partidária para buscar novo mandato. Habilidade política e “autoridade moral” conferem a Ronaldo Caiado as condições necessárias para superar dificuldades e reverter situações momentâneas de insatisfação por parte de lideranças políticas governistas.
O convite feito ao MDB para participação na chapa majoritária – vice-governador ou senador, com Daniel Vilela sendo protagonista – leva o governador a acelerar conversações para debelar “bolsões de contrariedade”, principalmente entre os aliados que almejam participação na chapa majoritária de 2022.
Nas pesquisas de intenção de votos para governador, realizadas por diversos institutos – Grupom, Fortiori, Paraná, Diagnóstico, Serpes e Directa –, Caiado aparece disparado à frente, o que confirma que o democrata realiza administração respaldada por diversos segmentos da sociedade, já que foca em obras em áreas vitais, como saúde, educação, segurança pública e infraestrutura (rodovias, por exemplo).
Caiado tem mais de um ano para desenvolver as articulações com os dirigentes partidários, parlamentares e prefeitos para construir a coligação que sustentará a sua recandidatura nas eleições do próximo ano. Discretamente, o governador já dialoga com lideranças políticas expressivas da base aliada, entre elas Lissauer Vieira (PSB), Roberto Naves (Progressistas), Paulo do Vale (Rio Verde), Adib Elias (Podemos), curando as feridas e mostrando a importância da formatação de uma competitiva chapa aos cargos majoritários (governador, vice e senador).
O principal motivo apresentado por Caiado para convidar o MDB a participar da chapa majoritária: a gratidão por ter recebido apoio do partido de Iris Rezende, Maguito Vilela e Daniel Vilela à sua candidatura ao Senado da República nas eleições de 2014, quando saiu vitorioso nas urnas. Outra razão é que o MDB tem história e lastro nos 246 municípios goianos, o que agrega valor a qualquer candidatura ao Palácio das Esmeraldas, além do que, concomitantemente, enfraquece a oposição goiana quando dela se afasta.

 

Partidos querem vaga na chapa porque o governador está bem

Um trunfo importante do governador Ronaldo Caiado é o diálogo aberto, franco e transparente com os prefeitos goianos, o que garante o respaldo eleitoral de no mínimo 200 dos 246 gestores municipais para a sua reeleição. Caiado, ao definir obras, não observa a qual partido o prefeito está filiado, se é da base aliada ou se pertence à oposição. Pela “popularidade, prestígio e força moral” do governador Ronaldo Caiado, partidos como MDB, Progressistas, Republicanos, Cidadania, PSL e PSD reivindicam espaço na chapa majoritária da base aliada, seja com candidatura a vice-governador ou a senador. De forma paciente – e tem tempo suficiente para isso –, Caiado remonta as peças do tabuleiro do xadrez da política goiana, confirma alianças e define candidaturas aos diversos cargos majoritários e proporcionais (deputado federal e estadual) para buscar novo mandato de governador em 2022. “Se Caiado não tivesse autoridade moral e não contasse com elevados índices de popularidade em Goiás, certamente muitos políticos e partidos não estariam atrás de vagas na chapa majoritária da base governista”, diz o secretário estadual de Governo Ernesto Roller.

 

Oposição enfrenta dificuldades para achar nome para lançar ao governo

A pouco mais de um ano para as eleições de outubro de 2022, a oposição goiana não sabe qual caminho trilhar, principalmente em relação à disputa ao governo de Goiás. Não há nome competitivo à sucessão estadual, o que desestimula os partidos a lançar candidatos a deputado federal e estadual.
A primeira tentativa da oposição – lançar o ex-prefeito de Trindade Jânio Darrot, ex-presidente estadual do PSDB, agora no Patriota, à disputa ao governo de Goiás – não deu certo. Darrot não motivou partidos, nem lideranças, nem decolou nas pesquisas. As opções do PSDB, os ex-governadores Marconi Perillo e José Eliton, não vingaram, diante da presença frequente de seus nomes na mídia, envolvidos em denúncias de prática de improbidade administrativa.
O ex-deputado federal Sandro Mabel (MDB), presidente da Fieg, não empolgou sequer um prefeito de cidade pequena e não passou de “um sonho”. Afinal, Mabel paga preço alto por ter tido seu nome envolvido no “mensalão” no Governo Lula. O empresário também é investigado por “caixa dois” em campanha eleitoral, entre outros crimes.
O PT de Rubens Otoni e Antônio Gomide vive o mesmo drama de eleições anteriores: não consegue apresentar um nome competitivo para a disputa ao Palácio das Esmeraldas. Mais uma vez o partido de Lula deve se fazer presente com um candidato(a) figurante: a professora Kátia Maria, que já concorreu em 2018.
A última cartada da oposição é alimentar a “vaidade” do jovem prefeito de Aparecida, Gustavo Mendanha, estimulando-o a deixar o MDB e a trair o legado de Maguito Vilela e a amizade com Daniel Vilela e Iris Rezende. “Não temos nome capaz de enfrentar Caiado, que, não se pode negar, é forte e quase imbatível em 2022. Por isso, o Mendanha pode ser a solução para eleger alguns deputados federais e estaduais”, diz um prefeito influente do PSDB, que prefere anonimato para não entrar em choque com os cardeais tucanos.
Mendanha dá sinais de que poderá aceitar a “aventura eleitoral” de 2022, rejeitando a decisão da maioria esmagadora das bases do MDB, que deseja a aliança do partido com o DEM, em apoio à reeleição do governador Ronaldo Caiado e a indicação de Daniel Vilela como candidato a vice na chapa majoritária.
Gustavo Mendanha vai permanecer no debate político até 3 de abril próximo – data-limite para renúncia do mandato de prefeito de Aparecida de Goiânia para concorrer a novo mandato eletivo. Até lá, conversa com dirigentes partidários, parlamentares e prefeitos, na tentativa de construir uma base eleitoral mínima para dar sustentação ao seu sonho de concorrer ao Palácio das Esmeraldas. (Por Helton Lenine / jornalismo@diariodeaparecida.com)

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